quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Beleza ou crueldade??

Uma americana foi sentenciada a seis meses de prisão domiciliar por tentar vender pela internet "gatos góticos" com piercings.
Holly Crawford, de 35 anos, anunciava os felinos em um site de classificados da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Ao ser descoberta pela crueldade com os animais, ela também foi sentenciada a fechar seu pet shop por dois anos.
A americana argumentou que todo o material usado para colocar os piercings nos gatos era esterilizado e que os felinos eram bem cuidados.
Quando procurada pela defesa dos animais, Holly Crawford ainda disse que americanos deixam seus filhos colocarem piercing por todo o corpo e com seus pets não poderia ser diferente.
 Corte de orelhas e caudas é considerado mutilação em muitos paises, inclusive no Brasil.
Foi publicada oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, a medida que proíbe cirurgias plásticas estéticas em cães e gatos.

“CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS
ANIMAIS
Art. 7° Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias
ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento
natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias
que atendam as indicações clínicas.”
Porem a medida fez com que alguns criadores considerassem a possibilidade de levar seus cães para fazer essas cirurgias no exterior.  Segundo um veterinário que preferiu não se identificar, com a decisão, o mercado paralelo que executa as cirurgias está trabalhando muito mais. “Como profissionais não podemos mais executar o serviço por causa da determinação, mas os leigos continuam a fazer a mesma coisa”,
Devido à exigência de algumas características de cada raça, como no caso dos dobermans com o corte das orelhas, o veterinário diz que alguns criadores já estão se mobilizando para executar esse serviço na Argentina. “Essa decisão só polemizou a ação, mas os donos e criadores continuam querendo as mesmas peculiaridades da raça”, afirma.

Ainda de acordo com o veterinário, que é criador de dobermans há 24 anos, a cirurgia não traz nenhum risco ao animal e tem cicatrização muito rápida. “O corte da orelha dos dobermans, por exemplo, acaba por proteger o animal. Evita machucados na orelha, permite mais higiene e aumenta a imunidade dos cães”, explica.
                                 
  Prejuízos á saúde dos animais:
Já para a veterinária Júlia Maria Matera, professora do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), a cirurgia estética como forma de higiene e bem-estar para os cães é um equívoco. “A cirurgia gera um sofrimento para o animal e, além de não ter nenhum benefício, pode ser feita de forma inadequada. Com o corte de orelha você expõe o conduto auditivo do cão e tira a proteção dele”, diz a especialista. Segundo Júlia, a USP não executa cirurgias plásticas estéticas em animais desde a década de 90.
Ainda de acordo com a professora, a retirada das unhas de gatos é o pior dos procedimentos proibidos pelo Conselho. “Sem as unhas, o gato não consegue mais pertencer ao seu habitat natural. As unhas não servem apenas para defesa, mas permitem que o animal se movimente melhor e sem elas ele perde parte de sua mobilidade”, explica.

Com relação ao corte da cauda de algumas raças de cães, Júlia esclarece que o procedimento também é prejudicial ao animal. “A cauda é um instrumento de demonstração de algumas situações por que o cão passa e é também o ponto de equilíbrio do animal”, destaca.

Júlia afirma que, mesmo com as orelhas inteiras, os cães podem participar de disputas e exposições internacionais. "Hoje em dia esse padrão não é mais motivo para a desclassificação dos cães. Eles podem participar.", diz.
                      
  Benefícios
A fisioterapeuta Luciane Collich, que cria dobermans há cerca de 20 anos, conta que o único de seus cães que não teve a orelha cortada enfrentou problemas. “Era o primeiro cão da espécie que eu tive e, por dó, acabei deixando as orelhas, mas ele pagou um preço bem caro. Teve ruptura de uma artéria na orelha, além de problemas com higiene”, diz.

Luciane mora em uma chácara e afirma que, como outros criadores, pretende se mobilizar para reverter a medida. “Para nós é muito problemático, por uma questão de higiene. Além disso, a cirurgia pode favorecer o bem-estar do animal também”, afirma.

Questionada sobre a possibilidade de levar os filhotes de sua próxima ninhada para o exterior, Luciane diz que, se não houver a suspensão dessa medida, alguma alternativa será encontrada por ela e por todos os outros criadores. “É óbvio que os criadores vão acabar optando por isso. Esteticamente é necessário para criadores que expõem seus cães, e é melhor por causa da saúde, então você acaba tendo que ir para o Uruguai ou a Argentina, que são países próximos onde as cirurgias são autorizadas.”

E desabafa: “Eu corto as orelhas de meus cães há anos com o mesmo profissional, que é próximo. Agora, além de ter que ser com um desconhecido, não teremos acesso a uma assistência posterior. O conselho tem que pensar melhor nessa decisão porque muitos cães vão ficar prejudicados e muita gente vai ganhar dinheiro sem poder com isso”.
                           
  Proibição
Desde 19 de março, o Conselho Federal de Medicina Veterinária proibiu as cirurgias estéticas em animais. A partir de então, procedimentos como corte de orelhas de cães e retirada de unhas de gatos só devem ser feitos com recomendação do veterinário, e não por critérios de estética. Antes da medida, as cirurgias estéticas em cães e gatos eram feitas facilmente; bastava o dono ir a uma clínica e demonstrar o desejo de mudar o visual do bichinho de estimação.

Segundo o presidente do Conselho, o veterinário Benedito Fortes de Arruda, a medida pretende preservar os animais. “Nós entendemos que o animal deve ser respeitado e considerado como um ser que sente dor e angústia. Como veterinários, somos responsáveis pelo bem-estar do animal, por isso, por se tratarem de cirurgias que não trazem nenhum benefício, apenas estético, entendemos que tudo aquilo que marca e impede o comportamento natural do animal deve ser evitado”.

Ainda de acordo com Arruda, os veterinários que não cumprirem a proibição estarão sujeitos a um processo ético profissional, além da aplicação de uma multa.

A beleza desse animal foi aumentada devido a cauda! Um animal belissimo!!!



Algumas das raças que costumam ser submetidas a essas cirurgias são: schnauzer, pinscher, boxer, doberman, dogue alemão, pit bull, dogo argentino, mastim napolitano, grifo de bruxelas, american staffordshire terrier e bouvier des flandres.

Fonte: G1
 
Unhas de gato!

Pelas normas do Conselho Regional de Medicina Veterinária -  CRMV - de São Paulo, esta cirurgia é vista como mutilação e por ser considerada antiética, o procedimento está sujeito à sanções. 
As entidades protetoras dos animais vão na mesma direção do órgão que congrega os profissionais da área e também consideram  a  prática  uma violência. Defendem que quem tem gatos, cães, furões, iguanas, sagüis,  e outros animais que a lei permita sejam criados em ambiente doméstico respeitem suas individualidades, seus instintos e características; “convivam com a forma como eles foram criados pela natureza ou procurem outro meio de entretenimento porque esses animais sem unhas passam a ser bibelôs”no dizer de Nina Rosa Jacob, presidente da ONG Instituto Nina Rosa de Promoção e Valorização da Vida Animal” em declaração à Revista da Folha de 5 de Outubro. Por outro lado, é preciso também considerar que se eventualmente tais animais voltem ao seu meio natural ou simplesmente se evadam do ambiente doméstico para as ruas, tenham os seus meios de defesa individual garantidos.  
A redação que acima propomos estende “erga omnes” a proibição do  CRMV bem como amplia as sanções aos veterinários infratores. Assim, os médicos veterinários que venham a violar a lei estarão sujeitos não só à advertência e à exclusão, mas também à imputação de multas; tornando-a “erga omnes”, estarão sujeitos à sua obediência não só os profissionais veterinários, mas também  proprietários de animais e leigos em geral que venham levar a efeito tal prática mutiladora.

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